Dia 4: o dia que testou todo mundo
Esse foi o dia mais duro de todo o downwind do Preá a Atins. Saímos de Barra Grande, cruzamos todo o litoral do Piauí e chegamos ao Maranhão.
Para contornar o porto de Luís Correia, tivemos que entrar muitos quilômetros mar adentro, longe da costa. Éramos só nós, o kite e o oceano. Depois, atravessamos o Canto do Vieira, passamos pela Pedra do Sal e seguimos até as Ilhas Canárias, no Delta do Parnaíba.
Teve de tudo: kite na água, kites se cruzando, cansaço e medo. Em alguns momentos, parecia que não ia dar. No entanto, a gente seguiu junto. No final, depois de muito sacrifício, muito choro e muito riso, todos chegaram bem à Pousada Casa de Caboclo, nosso refúgio no Delta. É nesses dias que um grupo vira uma equipe.
Dia 5: o velejo mais bonito do Delta
Se eu tivesse que escolher um único dia da viagem, seria esse. Saímos da foz do Rio Parnaíba e velejamos cerca de 12 km no mar. Em seguida, atravessamos uma duna e entramos em um rio.
Foram mais 15 km velejando por dentro da Ilha dos Poldros, num silêncio que só a natureza intocada tem. Mangue dos dois lados, água calma e ninguém além de nós. Ou seja, uma atmosfera completamente diferente de tudo o que eu já vi no kite.
No fim da tarde, assistimos à revoada dos guarás: centenas de aves vermelhas cruzando o céu do Delta. Ninguém falava nada, só olhava. Depois, fomos jantar no restaurante Flor da Mata, onde sempre somos recebidos de braços abertos, e comemos até não aguentar mais.
FOTO PENDENTE: velejo dentro do rio / revoada dos guarás
Dia 6: 80 km atravessando o Delta até o Arpoador de Tutóia
Saímos de novo da foz do Parnaíba para atravessar todo o Delta até o Arpoador de Tutóia. Foram cerca de 80 km, um dos dias mais longos da viagem.
Horas e horas na água, com o corpo pedindo para parar e a cabeça mandando continuar. Por isso, quando chegamos, a sensação foi de conquista pura. Esse é o tipo de chegada que fica para sempre.